Gerar o vídeo
Nesta etapa a preparação se paga. Com roteiro, direção de arte, referências e lista de planos prontos, gerar vídeo deixa de ser loteria e vira execução.
Parta da imagem
Há dois caminhos: do texto direto para o vídeo, ou de uma imagem para o vídeo. O segundo dá muito mais controle. A imagem já fixa o rosto, o cenário, a luz e o enquadramento; ao modelo de vídeo resta decidir só o movimento. Os planos que você gerou para o storyboard são o ponto de partida.
Algumas ferramentas aceitam também a imagem final do plano. Informar início e fim é a forma mais precisa de dirigir o que acontece no meio.
A anatomia do prompt
Com a imagem de partida, o prompt de vídeo não precisa descrever de novo o que já está nela. Ele cuida do que muda:
- Câmera: fixa ou o movimento, com velocidade.
- Ação: o que o personagem faz, em ordem.
- Ambiente: o que se move em volta, como vento, chuva, luz, fumaça.
- Ritmo: lento, contido, brusco.
Static shot. The woman lifts the cup, pauses before
drinking, and looks toward the window. Steam rises from
the cup. Curtains move slightly. Slow, quiet pacing.
Uma ação por clipe
Os clipes gerados duram poucos segundos, e o modelo tenta encaixar tudo o que você pediu nesse tempo. Três ações num clipe saem apressadas e deformadas. Peça uma ação principal e, quando fizer sentido, um instante de pausa antes ou depois dela. Essa sobra é o que permite escolher o ponto de corte na montagem.
Dirigir a atuação
"Ela está triste" produz uma careta genérica. Atores não recebem adjetivos, recebem ações, e com o modelo é igual:
- em vez de "nervoso": "bate os dedos na mesa e olha duas vezes para a porta";
- em vez de "triste": "abaixa os olhos e demora a responder";
- em vez de "surpresa": "para no meio do gesto".
Expressões pequenas funcionam melhor do que grandes. Peça subtle.
Quando o clipe volta errado
Antes de gerar de novo, identifique o tipo de erro. Mude uma coisa por vez, ou você não saberá o que resolveu.
| Sintoma | Causa provável | O que tentar |
|---|---|---|
| Nada acontece | prompt vago | descrever a ação com verbo concreto |
| Acontece coisa demais | pedido longo demais | cortar para uma ação |
| Rosto deforma | rosto pequeno ou movimento amplo | plano mais fechado, câmera fixa |
| Câmera se move sem pedir | o modelo preenche o silêncio | escrever "static shot" explicitamente |
| Mãos e objetos estranhos | limite do modelo | tirar a ação do quadro ou mostrá-la em detalhe separado |
| Pedido recusado | filtro de conteúdo | reescrever sem os termos sensíveis |
Organização é metade do trabalho
- Nomeie os arquivos pelo número do plano e da tentativa:
p07_t03.mp4. - Guarde o prompt de cada tentativa aprovada junto com o arquivo.
- Defina um limite de tentativas por plano. Se depois de cinco não saiu, o problema está no plano, não na sorte: simplifique-o.
Sobre as ferramentas
Os modelos de vídeo mudam a cada poucos meses, e qualquer lista de "melhores" envelhece rápido. Em vez de decorar nomes, avalie cada um pelo que o seu filme precisa: aceita imagem de início e de fim? Mantém o rosto? Gera fala sincronizada? Quanto custa por segundo? Teste o mesmo plano em dois ou três antes de comprometer o orçamento.
Na prática
- Gere primeiro os planos mais difíceis. Se eles não saírem, é melhor mudar o roteiro cedo.
- Peça sempre um pouco mais de duração do que o plano precisa.
- Anote o que funcionou. O seu caderno de prompts vale mais do que qualquer lista pronta.