Método antes de ferramenta
Ferramentas mudam e somem toda semana. O que separa uma pesquisa útil de uma tarde perdida abrindo abas é o método.
O ciclo em quatro etapas
- Planejar: definir a pergunta e o escopo.
- Coletar: buscar nas fontes escolhidas, registrando tudo.
- Analisar: verificar, cruzar e descartar.
- Relatar: escrever a conclusão com as evidências e o grau de certeza.
Na prática você volta várias vezes da análise para a coleta. O que não pode acontecer é pular a primeira etapa.
Planejar: quatro perguntas
- O que eu quero saber? Uma pergunta que tenha resposta. "Esta loja existe e quem responde por ela?" funciona; "tudo sobre esta loja" não.
- O que eu já sei? Nome, domínio, e-mail, foto, cidade. São os pontos de partida.
- Onde isso costuma estar? Buscadores, registros públicos, redes sociais, registros de domínio.
- Qual é o limite? O que eu não vou coletar, mesmo que apareça.
Coletar deixando rastro
Uma informação sem origem não serve para nada, nem para você mesmo daqui a um mês. Para cada achado, registre:
- o endereço completo da página;
- a data e a hora em que você viu;
- uma captura de tela;
- uma cópia arquivada, quando fizer sentido. O Wayback Machine tem a função "Save Page Now" para isso.
Páginas mudam e publicações são apagadas. O que você não guardou, você não tem.
Analisar: fato, inferência, hipótese
Classifique cada item antes de escrever qualquer conclusão:
- Fato: está escrito na fonte. "O domínio foi registrado em 2019."
- Inferência: decorre de dois ou mais fatos. "O mesmo e-mail aparece no registro do domínio e no perfil, então provavelmente é a mesma pessoa."
- Hipótese: é plausível, mas falta evidência.
O erro clássico é o homônimo. Nome igual, mesma cidade e idade parecida não bastam para dizer que dois registros são da mesma pessoa. Procure um identificador forte em comum, como e-mail, telefone ou a mesma foto, e só então junte.
Organizar
Planilha resolve a maioria dos casos: uma linha por achado, com fonte, data e classificação. Quando as relações entre pessoas, empresas e domínios ficam complicadas, um mapa mental ou um diagrama de vínculos ajuda a enxergar o conjunto.
Saber a hora de parar
Pare quando a pergunta estiver respondida. Sempre haverá mais uma aba para abrir, e é aí que a pesquisa deixa de ser diligência e vira curiosidade sobre a vida alheia. A LGPD chama isso de princípio da necessidade: tratar o mínimo de dados necessário para a finalidade.
Do lado da defesa
O método funciona igual quando o assunto da pesquisa é você. Escreva a pergunta ("o que um desconhecido descobre sobre mim em uma hora?"), liste os pontos de partida que um estranho teria e siga o ciclo. O capítulo 7 faz isso passo a passo.
No catálogo: ferramentas de organização e mapa de vínculos.