Guia OSINT · 02

Método antes de ferramenta

Ferramentas mudam e somem toda semana. O que separa uma pesquisa útil de uma tarde perdida abrindo abas é o método.

O ciclo em quatro etapas

  1. Planejar: definir a pergunta e o escopo.
  2. Coletar: buscar nas fontes escolhidas, registrando tudo.
  3. Analisar: verificar, cruzar e descartar.
  4. Relatar: escrever a conclusão com as evidências e o grau de certeza.

Na prática você volta várias vezes da análise para a coleta. O que não pode acontecer é pular a primeira etapa.

Planejar: quatro perguntas

Coletar deixando rastro

Uma informação sem origem não serve para nada, nem para você mesmo daqui a um mês. Para cada achado, registre:

Páginas mudam e publicações são apagadas. O que você não guardou, você não tem.

Analisar: fato, inferência, hipótese

Classifique cada item antes de escrever qualquer conclusão:

O erro clássico é o homônimo. Nome igual, mesma cidade e idade parecida não bastam para dizer que dois registros são da mesma pessoa. Procure um identificador forte em comum, como e-mail, telefone ou a mesma foto, e só então junte.

Organizar

Planilha resolve a maioria dos casos: uma linha por achado, com fonte, data e classificação. Quando as relações entre pessoas, empresas e domínios ficam complicadas, um mapa mental ou um diagrama de vínculos ajuda a enxergar o conjunto.

Saber a hora de parar

Pare quando a pergunta estiver respondida. Sempre haverá mais uma aba para abrir, e é aí que a pesquisa deixa de ser diligência e vira curiosidade sobre a vida alheia. A LGPD chama isso de princípio da necessidade: tratar o mínimo de dados necessário para a finalidade.

Do lado da defesa

O método funciona igual quando o assunto da pesquisa é você. Escreva a pergunta ("o que um desconhecido descobre sobre mim em uma hora?"), liste os pontos de partida que um estranho teria e siga o ciclo. O capítulo 7 faz isso passo a passo.

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